há momentos em que não aguentas mais.
escrevo para passar, deixo o volume da música subir até ao
máximo e tento esquecer que existo. não devia de ser assim tão complicado. só
devia esquecer e viver. e no entanto menos vivo e mais lembro. os olhos dele
traziam-me magia e algo novo à minha vida, no lugar certo e na altura exata. e
eu deslumbrei-me, sem nunca me lembrar que magia não existe. que tudo é ilusão.
vítima de mim própria. irónico. perco-me nas palavras, esqueço toda a minha
racionalidade e dou lugar aos sentimentos. erro atrás de erro. quis o impossível.
quis fazer o que ninguém conseguiu fazer comigo. tirá-lo do desespero de amar
alguém que simplesmente não devemos amar. e no fundo eu sabia que tentava o
impossível. o impossível atrai-me, tu sempre soubeste.
todos estamos carregados eletricamente por cargas negativas
e positivas. inicialmente, o valor das nossas cargas são iguais. depois tu
cresces, tu sofres, aprendes e ganhas ou perdes carga negativa. a carga
positiva nunca se altera, nasce, vive e morre connosco. é tudo uma questão de
saberes viver, de saberes desfazer-te das tuas cargas negativas. e eu sempre
soube fazê-lo de uma maneira quase que óbvia. a sorrir. mas agora fica tudo um
pouco mais difícil, a cada passo novo. o que eu mais aprecio desde que me
conheço quase que foge de mim neste momento. então eu grito e imponho-me e o
sorriso fica e vai ficando. cresce princesa, sorri rainha, o que dói cura e o
que é bom só fica melhor.